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13 abril 2022

Curso livre de política positiva: roteiro da 6ª sessão

Reproduzo abaixo o roteiro da sexta sessão do Curso livre de política positiva, ocorrida no dia 12 de abril, transmitida no canal Positivismo (disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VqRwEO_ceFwou no próprio canal Apostolado Positivista (disponível aqui: https://www.facebook.com/watch/live/?ref=watch_permalink&v=1133634754156936). Nessa seção, abordei a teoria positiva da propriedade; também lembrei os conceitos em língua inglesa para a "política" (polity, policy e politics).

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Súmula

Sociologia Estática IV: teoria da propriedade: origem e destinação sociais, gestão individual; luta de classes.

 

Roteiro

-        Pequena diferenciação: conceitos de “política”:

o   Politics: é a política do dia a dia; uma forma um pouco negativa de entendê-la é traduzido por “politicagem” (embora essa expressão seja excessivamente negativa para a palavra politics)

o   Policy: são as políticas públicas executadas pelo Estado

o   Polity: é a organização social, política e econômica em grandes linhas, baseada nos valores compartilhados à é este o sentido básico da “política positiva”

-        Propriedade:

o   Diferentes tipos de capitais, isto é, de materiais produzidos e transmitidos pela Humanidade

§  Capitais material, artístico-intelectual e moral

o   A propriedade consiste na base material da sociedade

§  Ela corresponde à realidade do mundo e da objetividade

§  Uma outra forma de expressar essa idéia é indicar que é a realidade satisfeita pela propriedade que exige a ciência (para conhecer o mundo) e afirma o egoísmo

·         A partir dessa conexão entre realidade material, egoísmo e ciência, Augusto Comte propõe uma belíssima imagem: se não tivéssemos que lidar com a realidade material, o ser humano seria sempre direta e totalmente altruísta e dedicar-se-ia apenas à expressão artística

o   A propriedade enquanto tal sempre existe (privada ou coletiva)

§  Diferentes modos de gestão da propriedade: desde originariamente coletiva até atualmente individual

§  A teologia e a metafísica são incapazes de abarcar a realidade material da sociedade; portanto, são incapazes de solucionar seus problemas

o   Responsabilidades concomitantes dos gestores do capital:

§  Manutenção e aumento dos tipos de capital

§  Satisfação das necessidades sociais

o   Origem e destinação sociais, mas gestão individual:

§  Base da noção político-moral da “responsabilidade social”

§  “O capital é social em sua origem e deve sê-lo em sua destinação”

o   Formas de transmissão do capital:

§  Ordem decrescente de dignidade: Paz: dádiva, troca, herança; guerra: conquista

o   Vinculação estreita com o trabalho

·         Riqueza: força concentrada

·         Trabalho: força dispersa

o   Divisão entre o patriciado e o proletariado

§  Patriciado:

·         Gestores individuais do capital coletivo

·         Grosso modo são os ricos, mas com uma atuação moral, intelectual e socialmente regenerada

·         Submetem-se à avaliação pública tanto em termos de resultados obtidos quanto, antes, de projetos propostos

·         Tipos de patrícios: bancário, comercial, industrial, agrícola

§  Proletariado:

·         São os trabalhadores

·         Emancipação paulatina dos trabalhadores (e das mulheres): escravos na Antigüidade, servos na Idade Média, trabalhadores livres na modernidade

·         Tipos de proletários:

o   por um lado, há uma correspondência com os tipos de patrícios: bancário, comercial, industrial, agrícola

o   por outro lado, há os tipos religiosos: ativo, afetivo, contemplativo, passivo

§  Necessidade de concurso entre o patriciado e o proletariado

·         Augusto Comte critica duramente a burguesia francesa de sua época, afirmando que ela era mesquinha, ou seja, egoísta e estreita

·         Obrigação dos patrícios de pagar salários decentes e de gerar empregos também decentes para todos os proletários

·         Caráter instrumental da luta de classes

o   Positivismo como “conservador” devido à sua rejeição da luta de classes como um conceito moral: afirmação teoricamente errada, politicamente irresponsável e moralmente patológica

o   Salário:

§  O trabalho é sempre gratuito e o salário corresponde à reposição do consumo de capital

§  O salário tem que ser suficiente para a satisfação das necessidades familiares (família proletária de sete membros, dona do próprio imóvel, incluindo alimentação, transporte, educação, saúde e lazer)

Curso livre de política positiva: vídeo da 6ª sessão

No dia 12 de abril ocorreu a sexta sessão do Curso livre de política positiva, com transmissão ao vivo no canal do Facebook Apostolado Positivista: Facebook.com/ApostoladoPositivista.

Nessa sessão apresentamos, no âmbito da Sociologia Estática de Augusto Comte, a teoria da propriedade.

O vídeo pode ser visto no canal Positivismo (disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VqRwEO_ceFw) ou no próprio canal Apostolado Positivista (disponível aqui: https://www.facebook.com/watch/live/?ref=watch_permalink&v=1133634754156936).

A programação completa do Curso pode ser vista aqui.

17 maio 2021

Reflexões sobre um evento com marxistas ortodoxos

Há alguns dias eu participei de um debate à distância sobre “classes sociais no Brasil contemporâneo”.

A minha participação consistiu em afirmar que é necessário usarmos o conceito de classes sociais nas sociedades industriais, na medida em que as clivagens básicas dessas sociedades dão-se em termos de riqueza, ou seja, de classes sociais; todavia, é necessário deixar de lado o aspecto sublevador e destruidor – revolucionário, em uma palavra – que o marxismo associou a esse conceito. Ao mesmo tempo, para combater os particularismos tanto proletário do marxismo quanto, de modo mais atual, das propostas identitárias, é necessário retomar-se o conceito de república, com seu universalismo da cidadania.

Depois de mim apresentaram dois professores marxistas – bem entendido, marxistas ortodoxos. E aí eu fiquei espantado ao constatar como o marxismo pode ser extremamente sedutor e eficiente em termos retóricos.

A moralidade marxista é simplista e tende ao maniqueísmo (isso quando não é diretamente maniqueísta): o proletariado é bom mas é explorado, a burguesia é má e é exploradora. A sua promessa de solução dos problemas sociais oferece uma enorme esperança e sua “radicalidade” baseia-se também no seu simplismo maniqueísta, adicionando um elemento mágico: quando a luta de classes acirrar-se tanto e a tal ponto que ocorra uma revolução proletária universal, todos os conflitos sociais acabarão de uma vez por todas, a malvada burguesia exploradora deixará de existir e o proletariado deixará de sofrer e de ser explorado e poderá viver em paz e com dignidade.

É realmente espantoso que esse simplismo convença as pessoas. É claro que ele convence também porque, aparentemente, oferece “soluções” para os problemas que a maior parte das pessoas sofre; ou melhor, o marxismo oferece uma crítica moral, disfarçada de análise sociológica, que parece sugerir soluções para os problemas. Creio que é aí que reside muito da sedução marxista.

Mas, como observei, tudo isso é simplista e maniqueísta. Em termos individuais, isso nega, isso rejeita a noção de responsabilidade individual; ou melhor, reduz a responsabilidade individual ao maniqueísmo básico: ou ajuda o proletariado e revolução universal ou ajuda a burguesia, a dominação e a exploração.

Além disso, esse maniqueísmo afirma um universalismo proletário que nega a realidade dos países, das nações. Esse universalismo de classes ignora fatos básicos e acarretou conseqüências terríveis: por um lado, a lealdade nacional é um dos elementos mais básicos e mais fortes que une entre si os indivíduos nas sociedades; por outro lado, esse mesmo universalismo de classe provocou ou estimulou ou justificou, no início do século XX, violentas reações nacionalistas; além disso, o universalismo de classes sempre foi utilizado como desculpa para a manipulação internacional dos proletariados nacionais; por fim, as revoluções comunistas ocorreram ao redor do mundo com objetivos nacionalistas, muito mais que internacionalistas.

Mas o presente início do século XXI indica que existem vários outros problemas adicionais na crítica do internacionalismo de classes às lealdades nacionais, baseada no maniqueísmo marxista. Por um lado, por mais que se diga que o “capitalismo” – esse conceito profundamente metafísico – é internacional, o fato é que as disputas entre os países ocorrem em bases nacionais, não internacionais. Por outro lado, após a II Guerra Mundial o mundo organizou um sistema coletivo internacional de gerenciamento das crises políticas; um sistema imperfeito, não há dúvida, mas que minora muitos dos defeitos do anterior sistema baseado exclusivamente nos nacionalismos e em suas rivalidades mútuas; entretanto, como esse sistema coletivo surgido após 1945 não é proletário e, portanto, é burguês, esse sistema é visto como intrinsecamente ruim.

Além disso, as duas críticas acima reforçam por um lado uma perspectiva sociológica e moralmente particularista e, por outro lado, minam os esforços coletivos de coordenação dos assuntos internacionais: isso integra e/ou faz par, de pleno direito, ao particularismo nacionalista e identitário que elegeu Donald Trump como Presidente dos EUA, bem como inúmeros demagogos de extrema-direita mundo afora.

Por fim, considerando uma perspectiva um pouco diferente, o maniqueísmo marxista e seu universalismo proletário negam a possibilidade de projetos nacionais legítimos de desenvolvimento nacional, em que a responsabilidade pessoal esteja direcionada de verdade para o bem-estar coletivo (nacional e internacional) e para a melhoria das relações sociais. Em particular, a atual pandemia exige uma coordenação internacional, mas ela está sendo enfrentada em termos nacionais, o que é inescapável diga-se passagem; além disso, esse enfrentamento evidencia a importância de estados nacionais ativos, fortes, articulados e capazes de implementar com eficiência políticas públicas – no caso do Brasil, por meio do SUS e do Programa Nacional de Imunizações. Nada disso teria lugar ou é justificado pelo maniqueísmo marxista e por seu rasteiro universalismo proletário.

No evento de que participei, como o objetivo não era um expositor criticar as perspectivas dos outros, não me manifestei a respeito dessa série inacreditável de sofismas e simplismos morais, sociológicos, históricos e filosóficos. Mas, ao mesmo tempo, fico pensando em como seria difícil expor oralmente, em alguns minutos, essa série de raciocínios que expus por escrito acima.

Enfim, mais uma vez registro meu espanto: o público que assistia às nossas exposições era composto por jovens estudantes universitários, todos eles devidamente burgueses mas, ao mesmo tempo, muitos deles piamente convencidos desses sofismas marxistas.

(Cá entre nós, não é à toa que o atual Presidente do Brasil tem uma base fiel e fanática: são discursos igualmente superficiais, simplistas, maniqueístas, adotados por pessoas ávidas de discursos desse tipo. A diferença entre uns e outros nem ao menos é de classe social, mas de “âmbito”: como observei, o marxismo afirma-se internacionalista, ao passo que o atual “nacional-populismo”, ou (neo)fascismo, é resolutamente nacionalista e anti-internacionalista.)

22 dezembro 2020

Roteiro da exposição sobre o décimo-terceiro mês dos calendários positivistas (Bichat e Proletariado)

O vídeo do roteiro abaixo se encontra disponível aqui.


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Roteiro da exposição sobre o décimo-terceiro mês dos calendários positivistas

 

Parte I – Mês concreto: Bichat

 



-        13º e último mês do calendário positivista concreto

o   Considerando o ano júlio-gregoriano de 2020 (ano bissexto), o mês de Bichat começa em 2 de dezembro e termina em 29 de dezembro

§  Após o décimo-terceiro mês, há dois dias complementares:

§  Festa Geral dos Mortos (30 de dezembro)

§  Festa das Mulheres Santas (31 de dezembro)

o   O décimo-terceiro mês concreto representa a ciência moderna

§  É o sexto mês da modernidade

§  Após os meses da Antigüidade e da Idade Média, a modernidade apresenta-se com seus seis meses (Dante, Gutenberg, Shakespeare, Descartes, Frederico, Bichat)

-        A ciência integra o que Augusto Comte chamava de “duplo movimento moderno”, isto é, de decomposição rápida (da teologia e do sobrenaturalismo, isto é, da síntese absoluta) e composição lenta (da ciência e naturalismo, isto é, da síntese relativa)

o   Enquanto a síntese absoluta ficou exausta já no término da Idade Média e foi destruída com as pesquisas de Copérnico e de Kepler (século XV) (e a respectiva ordem social foi posta abaixo na Revolução Francesa), a síntese relativa precisava percorrer toda a escala enciclopédica, não apenas para estender a todas as ordens de fenômenos o dogma das leis naturais, mas também para permitir que a Sociologia e a Moral constituídas exercessem seu papel de coordenação sobre o conjunto da existência humana (incluindo aí as ciências inferiores)

o   As bases da Matemática e da Astronomia foram lançadas na Antigüidade, bem como várias observações importantes mas mais ou menos dispersas das outras ciências (especialmente Biologia, Sociologia e Moral), da Física em diante as ciências constituíram-se apenas na modernidade: a Física com Galileu e Newton, a Química com Lavoisier, a Biologia com Bichat, Gall e Broussais – e, claro, a Sociologia e a Moral com Augusto Comte

o   A ciência tem uma importância pelo menos tripla para a Religião da Humanidade:

§  seu conjunto estabelece o dogma fundamental do Positivismo, que é o da realidade baseada nas leis naturais --> isso é o fundamento do relativismo

§  explica os vários fenômenos quaisquer --> a partir daí, rejeita-se a possibilidade de uma única grande lei explicativa do mundo (como seria a gravitação), pois os fenômenos são variados e as sete categorias fundamentais são irredutíveis umas às outras

§  Para Comte, uma ciência é um conjunto de princípios, leis, reflexões e métodos ao redor de um tipo de fenômenos; assim, há a possibilidade de aumentar-se ou diminuir-se a quantidade de “ciências”: as sete ciências fundamentais correspondem à quantidade mínima, irredutível, de ciências

§  O princípio fundamental do Positivismo, em relação às várias ciências, é que os fenômenos mais nobres são subordinados aos mais grosseiros

§  aplicações práticas, ou tecnologia, ou artes práticas, de que as duas primeiras são a Moral Prática (pedagogia e psicologia clínica) e a política

o   A ciência, portanto, é a base da síntese relativa; entretanto, a Religião da Humanidade não se limita à ciência, isto é, o Positivismo não é um cientificismo:

§  a ciência entregue a si mesma é dispersiva, ou seja, tende a considerar que suas investigações são importantes por si mesmas, independentemente de ou mesmo desprezando qualquer aplicação teórica ou prática à isso se baseia em um absolutismo objetivista, que considera que somente o que importa é a “realidade”, desprezando-se as necessidades humanas (portanto, subjetivas) e as nossas possibilidades de atuação

§  além disso, a ciência acarreta dois problemas morais: estimula o orgulho e a vaidade e seca o coração

o   A reunião desses dois problemas resulta em que a ciência é ambígua: embora ela seja necessária para a síntese relativa, entregue a si mesma ela torna-se contrária ao relativismo, rejeitando a disciplina moral e dando continuidade ao absolutismo e ao objetivismo

§  É devido a esses motivos que Augusto Comte afirmava, já em 1851, que a própria ciência é tão provisória quanto a teologia e a metafísica e, portanto, que deve ser tão ultrapassada quanto as duas modalidades anteriores de pensamento

§  A lei dos três estados seria, portanto, uma lei dos quatro estados, em que a ciência dividir-se-ia em estado científico (analítico) e em estado científico filosófico (sintético)

§  Teixeira Mendes observava que a lei dos três estados pode (e deve) ser entendida como a passagem do absolutismo para o relativismo

-        A importância de Bichat para a síntese positiva (isto é, subjetiva e relativista) está em que ele propôs a teoria positiva da vida, como sendo a troca permanente e dinâmica entre o organismo e o meio ambiente; além disso, ele afirmava que os seres vivos provêm dos próprios seres vivos

o   A obra de Bichat opunha-se às concepções mecanicistas (de Boerhaave, para quem a Biologia é redutível à Química) e às espiritualistas (de Stahl, para quem a vida ocorre devido a espíritos sobrenaturais)

o   A afirmação das leis biológicas põe por terra as pretensões de sínteses objetivistas (baseadas em particular na Física), ao mesmo tempo que a Biologia constitui a transição natural e necessária para as ciências superiores (Sociologia e Moral)

-        O mês e as semanas do mês de Bichat correspondem ao seguinte:

o   Bichat – é o fundador da teoria positiva da vida, que foi um passo fundamental para a constituição da síntese relativista e subjetiva

o   Galileu – corresponde à Física moderna

o   Newton – corresponde ao cálculo, que é o complemento da Física, da Astronomia e a parte superior da Matemática

o   Lavoisier – corresponde à Química moderna

o   Gall – corresponde à Biologia moderna e, em particular, às pesquisas que indicam que a “alma” consiste no conjunto das funções cerebrais

 

Parte II – Mês abstrato: o proletariado (providência geral)

-        O décimo-terceiro mês do calendário positivista abstrato celebra o proletariado, responsável pela providência geral

o   O proletariado deve ser entendido, por um lado, em estreita relação com o patriciado e, por outro lado, com seus vínculos com o sacerdócio (ao qual está associado com as mulheres)

§  A vinculação do proletariado com o patriciado está em que ambos são os responsáveis pela geração, manutenção e transmissão da riqueza; enquanto o patriciado corresponde ao poder concentrado, o proletariado corresponde ao poder disperso (e, portanto, a sua força vem de sua associação coletiva)

§  A vinculação do proletariado com o sacerdócio vem de seu papel fiscalizador do poder – seja do poder político, seja do poder econômico, seja mesmo do poder de aconselhamento do sacerdócio

§  O proletariado não é em si mesmo “ativo” no sentido que se dá ao governo e aos patrícios, mas é claro que em suas atividades profissionais e em seu papel fiscalizador ele é ativo, embora de uma forma diferente: fiscalizar não é o mesmo que realizar e/ou comandar

o   O proletariado deve corresponder ao conjunto da sociedade, devido ao seu peso numérico; a massa da classe média deve ser incorporada ao proletariado, enquanto a elite da classe média deve ser incorporada ao patriciado

§  A condição proletária do proletariado não deve implicar miséria nem propriamente pobreza à estão em questão aí as condições mínimas de vida (e não somente de sobrevida) e de dignidade

§  Os proletários têm que receber salários que lhes permitam viver com dignidade, isto é, tendo suas próprias moradias (mesmo que estas sejam financiadas ao longo do tempo) e podendo sustentar suas famílias (esposa, filhos, pais)

§  Os proletários devem ser os donos de seus instrumentos de uso contínuo e seus salários devem ser compostos de duas partes, uma fixa e outra variável (correspondente à produtividade e aos méritos de cada trabalhador)

§  Enquanto os proletários devem respeitar os seus patrões, os patrões devem verdadeiramente proteger e cuidar de seus trabalhadores ("dedicação dos fortes para com os fracos, veneração dos fracos pelos fortes")

§  De maneira acessória, a luta de classes pode ser utilizada para que os proletários lembrem aos patrícios suas responsabilidades

-        São quatro as modalidades determinadas por nosso mestre na providência geral, com as respectivas festas semanais:

1)      Proletariado ativo – Festa dos inventores (Gutenberg, Colombo, Vaucanson, Watt, Montgolfier) – corresponde ao conjunto dos proletários, que são trabalhadores (isto é, servidores ativos da Humanidade)

2)      Proletariado afetivo – corresponde às mulheres proletárias, que são as companheiras populares dos proletários

3)      Proletariado contemplativo – corresponde aos proletários estéticos e/ou científicos que não integram o sacerdócio mas têm um pendor mais teórico que prático; são eles que realizam a fiscalização proletária do governo, do patriciado e do sacerdócio

4)      Proletariado passivo (S. Francisco de Assis) – corresponde aos mendigos (passageiros ou permanentes), que lamentavelmente nunca deixarão de existir mas que podem exercer importantes reações morais, intelectuais e práticas sobre todas as classes sociais

 

Parte III – Comemorações de aniversários e feriados cívicos

-        Em termos de aniversários, comemoramos neste mês as seguintes figuras:

o   Gombert-Alexandre Réthoré (1820-1892) – 19 de Bichat (20 de dezembro)

 




 

Referências bibliográficas

Augusto Comte: Sistema de filosofia positiva, Sistema de política positiva, Catecismo positivista, Síntese subjetiva

Frederic Harrison: O novo calendário dos grandes homens

Raimundo Teixeira Mendes: As últimas concepções de Augusto Comte

David Carneiro: História da Humanidade através dos seus grandes tipos, v. 6

Ângelo Torres: Calendário Filosófico

29 janeiro 2017

Dados e membros do Círculo de Proletários Positivistas

Uma entidade francesa chamada Comitê de Trabalhos Históricos e Científicos (Comité des Travaux Historiques et Scientifiques) realizou um interessante trabalho de arrolamento dos dados do Círculo de Proletários Positivistas, entidade criada em 1865, reunindo os proletários parisienses com objetivos políticos, intelectuais e morais, de acordo com as prescrições políticas feitas por Augusto Comte para o proletariado. Fundado por Fabien Magnin, foi levada a cabo depois por Isidore Finance. 

Os dados obtidos pelo CTHC seguem abaixo; eles incluem algumas categorias gerais, o endereço da instituição, o ano da fundação e os seus diversos membros. É um material interessantíssimo e riquíssimo.
*   *   *
Cercle des prolétaires positivistes
10, rue Monsieur le Prince
75006 Paris
Année de creation : 1865 ?
Présentation de la société :
F. Magnin, ouvrier menuisier, sensibilise le premier les positivistes sur la question du travail. Il appelle à la création d’un Mouvement prolétaire positiviste au début des années 1860, sans qu’aucun document n’établisse clairement la fondation d’un groupe. Laffitte atteste une première réunion d’un « groupe de prolétaires positivistes » autour de Magnin, premier président du Cercle, en 1865. On trouve la première trace concrète du Cercle dans une intervention du prolétaire positiviste Gabriel Mollin dans le courant de l’année 1869 au Congrès Ouvrier de Bâle, dans lequel il intervient « au nom du cercle des prolétaires positivistes de Paris », sans doute délégué par Magnin. Il semble que les prolétaires positivistes interviennent régulièrement au nom de ce Cercle entre 1872 et 1878 dans les congrès ouvriers et y soient très actifs. 
Magnin est alors désigné comme « Président du Cercle des prolétaires positivistes de Paris ». En 1878, sur l’initiative d’Isidore Finance et d’E. Laporte, le Cercle des prolétaires positivistes de Paris décide de créer en son sein un « Cercle d’études sociales des prolétaires positivistes », afin d’approfondir les solutions envisagées par le positivisme concernant les diverses questions sociales et de les faire connaître au public via les publications assurées par les délégations ouvrières. 
En octobre 1878, le Cercle des prolétaires positivistes délègue les pleins pouvoirs à Finance pour le représenter au Congrès ouvrier de Lyon, en lieu et place de Magnin, de plus en plus malade. Finance est alors président du cercle, E. Laporte en est le secrétaire et A. Keufer le trésorier.
Après la mort de Magnin en 1884, Finance décide de reconstituer le Cercle « sur de nouvelles bases ». La première réunion du Cercle a lieu le vendredi 25 septembre. Le cercle a pour but : « de mettre ses membres au courant (...) de tous les faits se rattachant directement aux rapports du capital et du travail ; ensuite, des principales études faites sur ce sujet par les différentes écoles socialistes et économistes. 2° De rechercher les solutions fournies par le Positivisme pour les questions sociales sur lesquelles l’attention générale est attirée, soit par les faits eux-mêmes, soit par l’action de la presse, soit par l’action gouvernementale ; 3° De porter à la connaissance du public les solutions positivistes au moyen de circulaires, brochures, affiches, pétitions, correspondances et délégations aux réunions ouvrières. » 
Pour être reçu comme membre du Cercle, le postulant doit adhérer sans réserve à la doctrine positiviste et estimer : « que les phénomènes sociaux et moraux sont soumis (...) à des lois naturelles qui sont indépendantes de toute volonté arbitraire, divine, royale ou populaire ». Les membres du Cercle doivent ainsi être émancipés de toute théologie et de toute idée métaphysique, suivant ainsi les préceptes d’Auguste Comte. Le Cercle n’admet en outre que les « ouvriers manuels et employés » et exclut ainsi les « marchandeurs et membres d’associations coopératives ». Il admet en tant que membres correspondants, des ouvriers « de la province et de l’étranger qui désirent être tenus au courant de ses travaux et y participer ».
Le Cercle est administré par un président, un vice-président, un secrétaire et un trésorier. Les réunions se déroulent le dernier samedi de chaque mois. En 1886, le Cercle compte 31 membres, 49 en 1887, 55 en 1888, au moment de son apogée. Bien qu’il ait eu des ramifications en Province (Lyon, Clermont-Ferrand, Le Havre notamment), il n’a jamais eu une grande envergure du fait de l’initiation préalable et obligatoire au positivisme pour les futurs adhérents. A l’époque de Magnin, le cercle était constitué uniquement de travailleurs manuels mais s’ouvre progressivement à partir de 1885. Le Cercle fonctionne comme un groupe de réflexion et de propositions essayant le plus possible d’être en phase avec les différents mouvements ouvriers des années 1880-1890. Après Finance (1884-95), c’est Auguste Keufer qui prend la direction du Cercle à partir de 1895. Ils ouvrent le Cercle vers les Internationales ouvrières.
Bien que participant à des congrès d’envergure comme ceux de Paris en 1889 et de Zurich en 1893, le Cercle se marginalise par son idéologie libérale et moralisante et son influence décline. Le Cercle établit tout de même des rapports annuels réguliers entre 1885 et 1900. Le Cercle semble alors cesser progressivement son activité (vers 1905).
Fiches prosopographiques : 
ALLEGRE Jules (1854-1891) - Membre (1887)
BESSOT Emile (1841-1891) - Membre en 1869.
BODIN Edmond (1860-1928) - Membre (1887)
BRECVILLE Félix (1851-1904) - Membre (1885)
BRIAS Eugène (1858-1911) - Membre (1885)
BRUHAY Auguste (1835-1912) - Membre (à partir de 1878); Trésorier (1885)
CLAIR Arsène (1859-1887) - Membre (1886-87)
COTARD Jules (1840-1889) - Membre honoraire
DELPEY Henri (1848- ) - Membre 
DESCHAMPS Paul (1857-1840) - Membre (1880)
FAGNOT François (1866-1939) - Membre (1890)
FINANCE Isidore (1848-1918) - Président (1885-1895)
FOUCART Paul (1848-1902) - Membre (1887)
GAZE Amable (1824-1882) - Membre (1879- ??)
GIMOT Pierre (1845-1904) - Membre (1878)
GRANJON Léopold (1845-1874) - Membre
KEUFER Auguste (1851-1924) - Membre (1878-1900), Trésorier (1878-1895) puis Président (1895-1900)
KIN Arsène (1822-1890) - Membre (1881-1890)
LAPORTE Emile (père) (1840-1890) - Membre (1870-1890)
MACHY Edouard (1858-1886) - Membre (1878-1886); secrétaire (1880)
MAGNIN Fabien (1810-1884) - Membre fondateur, Président (1865-1884)
MICHAULT Jules - Membre
MORLOT Eugène ( -1885) - Membre
PELLETAN Edouard (1854-1912) - Membre (1885)
PIERREDON (1859- ) - Membre (1885)
REHM Jules (1833-1907) - Membre (1880-1900)
RENY Emile (1841-1895) - Membre (1878)
ROBINET Gabriel (1849-1887) - Membre (1886-89)
ROUSSEAU Fernand (1860-1940) - membre (1890- 1900), secrétaire (1890-1900)
SAINT DOMINGUE Antoine (1845-1902) - Membre (1885)
SAINT DOMINGUE Jean-Baptiste (1854-1932) - Membre (1885)
TINAYRE Julien (1859-1923) - Membre (1885)

25 novembro 2015

Volumes da Biblioteca Positivista

Eis abaixo a relação dos volumes indicados por Augusto Comte para a Biblioteca Positivista, a partir de sua indicação em francês. 

Hoje, mais de 150 anos após sua propositura, muitos desses livros são raros, embora não impossíveis de serem obtidos em suas versões impressas: por exemplo, na Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br), na Amazon (www.amazon.com) e no Abebooks (www.abebooks.com) é possível encontrá-los.

Mas, para quem tiver interesse em obter e ler os volumes em inglês ou francês no computador ou nos aparelhos de leitura (tablets), também é possível obter esses volumes no projeto Archive (https://archive.org/), que digitalizou centenas de milhares de livros sobre os quais já não incidem direitos autorais; assim, são volumes gratuitos.

Sobre a Biblioteca Positivista: é necessário notar que os títulos indicados por Augusto Comte são, o mais das vezes, apenas indicações dos títulos ou, em muitos casos, indicações gerais das obras. 

Alguns exemplos: 

1) de modo geral não há, comercialmente, os "teatros escolhidos", pois a seleção seria feita justamente por A. Comte ou por outros positivistas. 

2) Os Elogios dos cientistas (Éloges des savants) de Fontenelle e de Condorcet são nomes gerais: Fontenelle, que foi secretário da Academia de Ciências da França, proferia discursos sobre as vidas e as obras dos membros da Academia; assim, a busca deve ser feita por meio do nome do autor, não da obra. 

3) Da mesma forma, quando A. Comte recomenda a leitura dos Mondes (Mundos), também de Fontenelle, ele refere-se ao livro Entretiens sur la pluralité des mondes (Diálogos sobre a pluralidade dos mundos) - de que há edições comerciais em português, aliás.

Por fim, deve-se notar que essa relação é ao mesmo tempo teórica e histórica; os livros indicados servem para permitir ao seu leitor ter uma compreensão geral da realidade, tanto humana quanto cósmica. No caso dos livros da quarta seção ("Síntese" - Filosofia, Moral e Religião), o aspecto histórico fica bastante evidente, pois A. Comte recomenda livros que vêm desde a Antigüidade até os temos atuais, passando pela Idade Média.

Da mesma forma, convém notar que tais livros são para a instrução do proletariado europeu, e especificamente francês; nos dias correntes, além da inclusão de livros mais atuais, seria necessária a introdução de textos sobre outras civilizações, de modo a acompanharmos a feliz ampliação das perspectivas para todo o globo.

De qualquer maneira, esses livros compõem um curso geral para qualquer ser humano. Aquilo que se cobra do Ensino Médio - perspectivas gerais sobre a realidade - está aí indicado com clareza.

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BIBLIOTECA DO PROLETÁRIO
NO SÉCULO XIX[1]

Aconselhada pelo autor do Sistema de filosofia positiva e do Sistema de política positiva

150 VOLUMES
EQUIVALENTES AOS DA COLEÇÃO CHARPENTIER

(EM FRANCÊS)
(EM PORTUGUÊS)
1º POÉSIE  (trente volumes).
1º POESIA (30 volumes)


L'ILIADE et l'ODYSSÉE (traduction Bitaubé), réunies en un même volume, sans aucune note.
Ilíada e Odisséia, reunidas em um único volume, sem nenhuma nota
ESCHYLE (traduction de La Porte du Theil) et ARISTOPHANE (traduction Artaud), idem.
Ésquilo e Aristófanes, reunidas em um único volume, sem nenhuma nota
L'OEDIPE-Roi de Sophocle.
Édipo-rei, de Sófocles
THÉOCRITE (traduction F. Didot), suivi de DAPHNIS et CHLOÉ (traduction Amyot et Courier), idem.
Teócrito, seguido de Dafne e Cloé, reunidos em um único volume, sem nenhuma nota
PLAUTE (traduction Naudet) suivi de TÉRENCE (traduction Dacier) sans aucune note.
Plauto, seguido de Terêncio, sem nenhuma nota
VIRGILE (traduction Delille) suivi d'HORACE choisi (traduction Vanderburg) sans aucune note.
Virgílio, seguido de Horácio escolhido, sem nenhuma nota
OVIDE (traduction Saint-Ange), TIBULLE (traduction Panckouke), et JUVÉNAL (traduction Fabre), idem.
Ovídio, Tibulo e Juvenal, sem nenhuma nota
FABLIAUX DU MOYEN AGE, recueillis par Legrand d'Aussy.
Fábulas da Idade Média, recolhidas por Legrand d’Aussy
DANTE, ARIOSTE, TASSE, et PÉTRARQUE choisi (réunis en un seul volume italien).
Dante, Ariosto, Tasso e Petrarca escolhido (reunidos em um único volume italiano)
Les THÉÂTRES choisis de Métastase et d'Alfieri (dans un même volume italien).
Os teatros escolhidos de Metastásio e Alfieri (em um mesmo volume italiano)
LES FIANCÉS, par Manzoni (un seul volume italien).
Os noivos, de Manzoni (um único volume italiano)
Le DON QUICHOTTE et les NOUVELLES de Cervantes (dans un même volume espagnol).
Dom Quixote e Novelas exemplares, de Cervantes (em um mesmo volume espanhol)
Le THÉÂTRE ESPAGNOL choisi (recueil à former convenablement, en un seul volume espagnol).
Teatro espanhol escolhido (seleção a compor convenientemente, em um único volume espanhol)
Le ROMANCERO ESPAGNOL choisi (en un seul volume espagnol).
O romanceiro espanhol escolhido (em um único volume espanhol)
Le THÉÂTRE choisi de P. Corneille.
Teatro escolhido de Pierre Corneille
MOLIÈRE Complet.
Molière completo
Les THÉÂTRES choisis de Racine et de Voltaire (réunis en un seul volume).
O teatro escolhido de Racine e de Voltaire (reunidos em um único volume)
Les FABLES de La Fontaine, suivies de quelques FABLES de Florian.
As fábulas de La Fontaine, seguidas de algumas fábulas de Florian
GIL BLAS, par Lesage.
Gil Blás, de Lesage
LA PRINCESSE DE CLÈVES, PAUL ET VIRGINIE, et LE DERNIER ABENCERRAGE (à réunir en un seul volume).
A princesa de Clèves (de Mme. La Fayette), Paulo e Virgínia (de Saint-Pierre) e O último abencerage (de Chateaubriand) (a reunir em um único volume)
LES MARTYRS, par Chateaubriand.
Os mártires, de Chateaubriand
Le THÉÂTRE choisi de Shakespeare.
Teatro escolhido de Shakespeare
LE PARADIS PERDU et les POÉSIES LYRIQUES de Milton.
Paraíso perdido e poesias líricas de Milton
ROBINSON CRUSOÉ, et LE VICAIRE DE WAKEFIELD (à réunir en un seul volume).
Robinson Crusoé (de Daniel Defoe) e O vigário de Wakefield (de Oliver Goldsmith) (a reunir em um único volume)
Tom JONES, par Fielding (en anglais, ou traduit par Chéron).
Tom Jones, de Henri Fielding
Les sept chefs-d'œuvre de Walter Scott.
IVANHOÉ, QUENTIN DURWARD, LA JOLIE FILLE DE PERTH, L'OFFICIER DE FORTUNE, LES PURI­TAINS, LA PRISON D'ÉDIMBOURG, L'ANTI­QUAIRE.
As sete obras-primas de Walter Scott: Ivanhoé, Quentin Durward, A alegre filha de Perth, O oficial da fortuna, Os puritanos, A prisão de Edinburgo, O antiquário
Les Oeuvres choisies de Byron (en supprimant surtout le DON JUAN).
Obras escolhidas de Byron (suprimindo sobretudo o Don Juan).
Les Oeuvres choisies de Goethe.
Obras escolhidas de Goethe
LES MILLE ET UNE NUITS.
As mil e uma noites

2º SCIENCE  (trente volumes).
2º CIÊNCIA (30 volumes)


L'ARITHMÉTIQUE de Condorcet, l'Algèbre et la Géométrie de Clairaut, plus la TRI­GONOMÉTRIE de Lacroix ou de Legendre (à réunir en un seul volume).
A Aritmética de Condorcet, a Álgebra e a Geometria de Clairaut, mais a Trigonometria de Lacroix ou de Legendre (a reunir em um único volume)
La GÉOMÉTRIE ANALYTIQUE d'Auguste Comte, précédée de la GÉOMÉTRIE de Descartes.
A Geometria Analítica de Augusto Comte, precedida pela Geometria de Descartes
La STATIQUE de Poinsot, suivie de tous ses mémoires sur la mécanique.
A Estática de Poinsot, seguida de todas as suas memórias sobre a Mecânica
Le COURS D'ANALYSE de Navier à l'École Polytechnique, précédé des RÉ­FLEXIONS SUR LE CALCUL INFINITÉSIMAL, par Carnot.
O Curso de Análise de Navier na Escola Politécnica, precedido das Reflexões sobre o cálculo infinitesimal, de Carnot
Le COURS DE MÉCANIQUE de Navier à l'École Polytechnique, suivi de l'ESSAI SUR L'ÉQUILIBRE ET LE MOUVEMENT, par Carnot.
O Curso de Mecânica de Navier na Escola Politécnica, seguido do Ensaio sobre o equilíbrio e o movimento, de Carnot
La THÉORIE DES FONCTIONS, par Lagrange.
A Teoria das funções, de Lagrange
L'ASTRONOMIE POPULAIRE d'Auguste Comte, suivie des MONDES de Fontenelle.
A Astronomia popular de Augusto Comte, seguido dos Mundos de Fontenelle
La PHYSIQUE MÉCANIQUE de Fischer, traduite et annotée par Biot (dernière édition).
A Física Mecânica de Fischer, traduzida e anotada por Biot
L'ABRÉGÉ ALPHABÉTIQUE DE PHILOSOPHIE PRATIQUE, par John Carr.
O Resumo alfabético de filosofia prática, de John Carr
La CHIMIE de Lavoisier.
A Química, de Lavoisier
La STATIQUE CHIMIQUE, par Berthollet.
A Estática química, de Berthollet
Les ÉLÉMENTS DE CHIMIE, par James Graham.
Os Elementos de Química, de James Graham
Le MANUEL D'ANATOMIE, par Meckel.
O Manual de Anatomia, de Meckel
L'ANATOMIE GÉNÉRALE de Bichat, précédée de son TRAITÉ SUR LA VIE ET SUR LA MORT.
A Anatomia Geral, de Bichat, precedida de seu Tratado sobre a vida e a morte
Le premier volume du TRAITÉ de Blainville SUR L'ORGANISATION DES ANI­MAUX.
O primeiro volume do Tratado de Blainville sobre a Organização dos animais
La PHYSIOLOGIE de Richerand (dernière édition, annotée par Bérard).
A Fisiologia de Richerand (última edição, anotada por Bérard)
La PHYSIOLOGIE de Cl. Bernard, précédée de l'ESSAI SYSTÉMATIQUE SUR LA BIOLOGIE, par Segond.
A Fisiologia de Claude Bernard, precedida do Ensaio sistemático sobre a Biologia, de Segond
La PHILOSOPHIE ZOOLOGIQUE de Lamarck.
A Filosofia zoológica, de Lamarck
L'HISTOIRE NATURELLE de Duméril (dernière édition).
A História natural, de Duméril (última edição)
Les DISCOURS SUR LA NATURE DES ANIMAUX, par Buffon.
O Discurso sobre a natureza dos animais, de Buffon
L'ART DE PROLONGER LA VIE HUMAINE, par Hufeland, précédé du TRAITÉ SUR LES AIRS, LES FAUX, ET LES LIEUX, par Hippocrate, et suivi du livre de Cornaro SUR LA SOBRIÉTÉ (à réunir en un seul volume).
A arte de prolongar a vida humana, de Hufeland, precedida do Tratado sobre os ares, os fogos e os lugares, de Hipócrates, e seguido do livro de Cornaro Sobre a sobriedade (a reunir em um único volume)
L'HISTOIRE DES PHLEGMASIES CHRONIQUES, par Broussais, précédée de ses PROPOSITIONS DE MÉDECINE.
A História das flegmasias crônicas, de Broussais, precedida de suas Proposições de Medicina
Les ÉLOGES DES SAVANTS, par Fontenelle et Condorcet.
Os Elogios dos cientistas, de Fontenelle e Condorcet

3º HISTOIRE  (soixante volumes).
3º HISTÓRIA (60 volumes)


L'ABRÉGÉ DE GÉOGRAPHIE UNIVERSELLE, par Malte-Brun.
O Resumo de Geografia universal, de Malte-Brun
Le DICTIONNAIRE GÉOGRAPHIQUE de Rienzi.
O Dicionário geográfico, de Rienzi
Les VOYAGES de Cook, et ceux de Chardin.
As Viagens de James Cook e as de Chardin
L'HISTOIRE DE LA RÉVOLUTION FRANÇAISE, par Mignet.
A História da Revolução Francesa, de Mignet
Le MANUEL DE L'HISTOIRE MODERNE, par Heeren.
O Manual de História moderna, de Heeren
Le SIÈCLE DE Louis XIV, par Voltaire.
O Século de Luís XIV, de Voltaire
Les MÉMOIRES de Mme de Motteville.
As Memórias, de Mme. Motteville
Le TESTAMENT POLITIQUE de Richelieu, et la VIE DE  CROMWELL (à réunir en un seul volume).
O Testamento político de Richelieu e a Vida de Cromwell (a reunir em um único volume)
Les MÉMOIRES de Benvenuto Cellini (en italien).
As Memórias de Benvenuto Cellini
Les MÉMOIRES de Commines.
As Memórias de Commines
L'ABRÉGÉ DE L'HISTOIRE DE FRANCE, par Bossuet.
O Resumo da História da França, de Bossuet
Les RÉVOLUTIONS D'ITALIE, par Denina.
As Revoluções da Itália, de Denina
L'ABRÉGÉ DE L'HISTOIRE D'ESPAGNE, par Ascargorta.
O Resumo da História da Espanha, de Ascargorta
L'HISTOIRE DE CHARLES-QUINT, par Robertson.
A História de Carlos V, de Robertson
L'HISTOIRE D'ANGLETERRE, par Hume.
A História da Inglaterra, de David Hume
L'EUROPE AU MOYEN AGE, par Hallam.
A Europa na Idade Média, de Hallam
L'HISTOIRE ECCLÉSIASTIQUE, par Fleury.
A História eclesiástica, de Fleury
L'HISTOIRE DE LA DÉCADENCE ROMAINE, par Gibbon.
A História da decadência romana, de Gibbon
Le MANUEL DE L'HISTOIRE ANCIENNE, par Heeren.
O Manual de História Antiga, de Heeren
TACITE complet (traduction Dureau de La Malle).
Tácito completo
THUCYDIDE ET HÉRODOTE (à réunir en un seul volume).
Tucídides e Heródoto (a reunir em um único volume)
Les VIES de Plutarque (traduction Dacier).
As Vidas de Plutarco
Les COMMENTAIRES de César, et l'ALEXANDRE d'Arrien (à réunir en un seul volume).
Os Comentários de César e o Alexandre de Arrien (a reunir em um único volume)
Le VOYAGE D'ANACHARSIS, par Barthélemy.
A Viagem de Anarcarsis, de Barthélemy
L'HISTOIRE DE L'ART CHEZ LES ANCIENS, par Winckelmann.
A História da arte entre os antigos, de Winckelmann
Le TRAITÉ DE LA PEINTURE, par Léonard de Vinci (en italien).
O Tratado da pintura, de Leonardo da Vinci
Le COURS DE DESSIN, par A. Etex.
O Curso de desenho, de A. Etex
Les MÉMOIRES SUR LA MUSIQUE, par Grétry.
As Memórias sobre a música, de Grétry

4º PHILOSOPHIE, MORALE ET RELIGION
(trente volumes).
4º FILOSOFIA, MORAL E RELIGIÃO (30 volumes)


LA POLITIQUE d'Aristote, et sa MORALE (à réunir en un seul volume).
A Política de Aristóteles e sua Moral (a reunir em um único volume)
La BIBLE Complète. Le CORAN complet.
A Bíblia completa. O Alcorão completo
LA CITÉ DE DIEU, par saint Augustin.
A Cidade de deus, de Santo Agostinho
LES CONFESSIONS de saint Augustin, suivies du TRAITÉ SUR L'AMOUR DE DIEU, par saint Bernard.
As Confissões de Santo Agostinho, seguidas do Tratado sobre o amor de deus, de São Bernardo
L'IMITATION DE JÉSUS-CHRIST (l'original et la traduction en vers de Corneille).
A Imitação de Jesus Cristo
Le CATÉCHISME DE MONTPELLIER, précédé de l'EXPOSITION DE LA DOCTRINE CATHOLIQUE par Bossuet, et suivi des COMMENTAIRES SUR LE SERMON DE J.-C., par saint Augustin.
O Catecismo de Montpellier, precedido pela Exposição da doutrina católica de Bossuet e seguido dos Comentários sobre o sermão de J.-C., de Santo Agostinho
L'HISTOIRE DES VARIATIONS PROTESTANTES, par Bossuet.
A História das variações protestantes, de Bossuet
Le DISCOURS SUR LA MÉTHODE, par Descartes, suivi du Novum ORGANUM de Bacon.
O Discurso sobre o método, de Descartes, seguido do Novum Organum, de Bacon
Les PENSÉES de Pascal, suivies de celles de Vauvenargues, et des CONSEILS D'UNE MÈRE, par Mme de Lambert.
Os Pensamentos de Pascal, seguidos pelos de Vauvenargues e dos Conselhos de u’a mãe, de Mme. de Lambert
Le DISCOURS SUR L'HISTOIRE UNIVERSELLE, par Bossuet, suivi de l'ESQUISSE HISTORIQUE, par Condorcet.
O Discurso sobre a História universal, de Bossuet, seguido do Esboço histórico de Condorcet
Le TRAITÉ DU PAPE, par de Maistre, précédé de la POLITIQUE SACRÉE, par Bossuet.
O Tratado sobre o papa, de de Maistre, precedido pela Política sagrada, de Bossuet
Les RAPPORTS DU PHYSIQUE ET DU MORAL DE L'HOMME, par Cabanis.
As Relações entre o físico e o moral do homem, de Cabanis
Le TRAITÉ SUR LES FONCTIONS DU CERVEAU, par Gall, précédé des LETTRES SUR LES ANIMAUX, par Georges Leroy.
O Tratado sobre as funções do cérebro, de Gall, precedido pelas Cartas sobre os animais, de Georges Leroy
La PHILOSOPHIE POSITIVE d'Auguste Comte (six volumes), et sa POLITIQUE POSITIVE (quatre volumes), plus son CATÉCHISME POSITIVISTE.
A Filosofia positiva de Augusto Comte (seis volumes) e sua Política positiva (quatro volumes), mais seu Catecismo positivista
L'HISTOIRE DE LA PHILOSOPHIE, PAR G. H. Lewes.
A História da filosofia, de G. H. Lewes


N. B.: Esta biblioteca será redutível a 100 volumes após a regeneração da educação ocidental.

Augusto COMTE,
(rua Monsieur le Prince, 10)
Paris, 24 de Gutemberg de 64 (sábado, 4 de setembro de 1852)





[1] Fonte: Auguste Comte, Catéchisme positiviste, p. 22. Disponível em: http://classiques.uqac.ca/classiques/Comte_auguste/catechisme_positiviste/catechisme_positiviste.html; acesso em: 24.11.2015.